Um pouco mais de arte

Materiais

Para a realização dos meus trabalhos, faço uso de alguns materiais primordiais. Os materiais que mais uso são: a tinta acrílica, lápis de cor, grafite, nanquim, arte digital, guache, aquarela e “óleo natural”.

A acrílica tem uma secagem rápida, e é ideal para pintar em camadas. Eu comecei a utilizá-la depois que me intoxiquei com as tintas oleosas normais, e, mesmo com um manuseio um tanto quanto difícil, é um dos materiais que mais gosto! Utilizo-a como uma pintura a óleo “alla prima”, e fui me adaptando ao tempo rápido da secagem aos poucos. A desvantagem é que sempre há a necessidade de umedecer a palheta, caso contrário, as tintas secam-se por completo. Porém, existem palhetas especiais, que retardam a secagem da acrílica. Eu uso a Sta-Wet, e minhas tintas aguentam até 3 dias de vida útil na palheta.

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Palheta para acrílica Manternon's

Os lápis de cor me acompanham desde a infância, e foram os primeiros instrumentos artísticos que me apresentaram às cores. Eu uso os lápis da Faber-Castell, Koh-I-Noor e Staedtler. Os aquareláveis da Faber-Castell são uma ótima alternativa na falta de lápis coloridos profissionais. Os lápis da série “Magic” da Koh-I-Noor são incríveis! Multicoloridos, com três cores na mesma mina. Uso bastante em meus sketches, para que a cor repetitiva do grafite não me canse.

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Lápis de cor Koh-I-Noor

Amo as cores, mas o grafite também é outra técnica indispensável. Criar um desenho hiper-realista com grafite, pra mim, é um refinamento de espírito, uma terapia. Num primeiro momento, pode parecer algo extremamente racional. Mas, durante o processo é que se percebe o quanto a alma trabalha na execução de uma arte assim. O estojo de grafites da Staedtler está sempre perto de mim, indo do 7H ao 9B.

A nanquim também é muito prazerosa de se trabalhar. Preta ou colorida, pode ser trabalhar carregada ou com aguadas, como na aquarela. Eu sempre opto pela técnica mais carregada, e gosto de variar os bicos de pena, para brincar com as hachuras. Aqui, fluidez e concentração necessitam andar juntas: um traço de nanquim errado é bem chatinho de ser consertado.

A arte digital tem a grande vantagem de não necessitar de materiais físicos para a execução, além do Ctrl + Z! Dá pra voltar atrás, repetir e mudar um elemento da composição de lugar sem ter de apagar a obra toda! Sem contar a praticidade de se trabalhar com layers. Uso bastante a arte digital nas ilustrações, e meus programas preferidos são: Corel Painter, Photoshop e Manga Studio. É sempre bom dar alguns pequenos intervalos durante a realização de uma arte digital, pois, trabalhar com cores e luzes da tela do computador constantemente, causa um certo cansaço à visão.

O guache também é outro material que uso desde criança. É como uma acrílica mais suave, com ‘permissão pra errar e consertar’. Gosto bastante. Já a aquarela, tomei gosto recentemente. Não é um material muito fácil de ser usado quando se tem medo errar, por isso demorei muito pra aderir às aguadas da aquarela. Quando vi que não era um bicho de sete cabeças, mergulhei profundamente, e percebi que a aquarela pede muito mais sentimentos, mais emoção do que técnica; assim ela se mantém firme. Eu diria que é um instrumento ‘Yin’. Um deleite!

As tintas a óleo naturais são os meus mais sonhados materiais! Posso dizer que, trabalhar com elas corresponde a um pequeno retorno à Atlântida!
Sigo uma poética de vida e de arte na qual priorizo tudo o que vem da natureza, o mais puro e natural possível. Fiquei alguns anos procurando tintas oleosas que seguem esse padrão, até que achei a Natural Earth Paint. A empresa trabalha com pigmentos, ao invés da tinta já produzida, que são extraídos das rochas e passam por processos totalmente naturais de transformação, sem aquela toxicidade da tinta a óleo convencional. O óleo de nozes (usado como óleo de linhaça) também é obtido de uma forma menos agressiva, e todos os materiais da Natural Earth não agridem o meio-ambiente. As vantagens de se trabalhar com pigmentos ao invés da tinta já pronta são expressivas: controle pessoal e melhor administração da textura das tintas, e pouca utilização do diluente. Era assim que os grandes mestres da pintura trabalhavam com suas cores!


Artistas e Estilos

Há artistas os quais admiro bastante, e procuro absorver e sentir o que seu repertório tem a ensinar. Entretanto, desde que tive consciência de que queria viver da arte, nunca quis me influenciar por nenhum profissional. Nunca quis seguir alguém, ou seguir uma vanguarda. Eu gostava de observar – e muito! – a natureza, e sempre intentei por fazer algo novo, com “DNA desconhecido”. Foi assim que adquiri meu estilo, o que mais tarde pude perceber que se encaixa no surreal e no visionário.

O Surrealismo, surgido na década de 1920 em detrimento da racionalização da arte na época. Tem como principal característica a expressão dos sonhos e do inconsciente. Bastante influenciado por Freud, a corrente surrealista visa libertar-se das exigências da lógica e da razão, transcendo a consciência humana.

Separado do Surrealismo por uma linha tênue e intermitente, o Visionário refere-se ao estilo que transcende o mundo físico. O processo criativo se dá pelas experiências em estados não ordinários de consciência, denominados ENOC, onde é possível obter diferentes visões, relacionadas, sobretudo, ao mundo místico, espiritual e metafísico.

De acordo com Lawrence Caruana:
Onde os Surrealistas tentaram, através do estado onírico, se elevar às mais altas realidades (e contra o uso de narcóticos) os artistas visionários usam tudo a sua disposição – mesmo com grande risco pessoal – acessar diferentes estados de consciência e expor as visões resultantes. Os artistas visionários buscam mostrar o que repousa além das fronteiras de nossa percepção. Através dos sonhos, transes ou outros estados alternativos, o artista busca ver o invisível (ou o mundo dos espíritos) – atingindo um estado visionário que transcende nosso modo ordinário de percepção. A tarefa que o espera, consequentemente, é comunicar suas visões de forma reconhecível como na visão do dia-a-dia.” (CARUANA 2013, 01).

O uso de narcóticos para se chegar ao estado visionário não é regra – felizmente, e a arte visionária não se trata de um movimento recente. Os históricos artistas das cavernas, com seus bisões, eram visionários, pois extraíam tais imagens dos estados de meditação e transe. Um ponto interessante, é que a arte visionária não se fixa num estilo ‘regrado’. Há artistas hiper-realistas, naïfs, e até surrealistas que se encaixam perfeitamente no visionário, sem perderem seus estilos pessoais.

Dentre os artistas que admiro, encontram-se: Leonardo Da Vinci, Tintoretto, Michelangelo, Rafael, Dalí… os contemporâneos Alex Grey, Amanda Sage, Elvis da Silva, Paulo Cheida Sans, E. G. Boccara, Josephine Wall. Tenho uma admiração imensa pelo trabalho da Josephine!! Conheci seu acervo quando estava na faculdade, e precisava procurar por artistas com estilo próximo ao meu. Me encantei logo de cara! Há uma beleza enlevada nas suas pinturas, além daquele ar de ‘mundo das fadas’. O interessante é que ela não se martiriza quando há algum errinho de proporção na pintura: o que prevalece é a beleza e a emoção elevada que procura transmitir.

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Obra Echo - Josephine Wall

No acervo do professor Boccara, os traços leves e fluidos se misturam à perfeição hiper-realista dos figurativos, sem perder a alma e os sentimentos! Há um casamento belíssimo nas obras do Boccara: a razão técnica Jungiana se junta amorosamente às cores vivas, aos sentimentos e a alma.

O universo da Arte é um universo paralelo perfeito. Técnicas, estilos, materiais e sentimentos se juntam em busca do equilíbrio e da satisfação da alma. Produzir ou simplesmente admirar. Quem ainda não adentrou neste universo, faço o convite; os portais estão sempre abertos!

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