Sobre o Tempo

Quando eu era mais nova (época de TCC, imagina o drama), eu era tão controladora comigo mesma que não respeitava a natureza das circunstâncias, e nem meu próprio tempo.

Se algum imprevisto acontecia, eu me culpava, me punia, e pensava: “Mas eu planejei tudo certinho!!”. E vivia me lamentando. E, olha que paradoxal, simultaneamente, eu já sentia que o tempo cronológico era uma convenção criada para nos orientar aqui na Terra.

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'Recomeços-1' | Camila Lagoeiro | 40x40cm
Lápis de cor sobre papel colorido

Num certo dia, tive um sonho muito intrigante.  Um senhor, de aparência jovem, mas que falava como alguém mais velho, me disse isso:

“Tudo virá no tempo certo; mas, o tempo certo deve ser criado por vocês. Afinal, que é o tempo senão uma criação? O tempo é maravilhoso quando se sabe usá-lo. Há muito ainda o que aprender sobre ele. O tempo é nosso. O tempo é o tempero dos dias e das noites. É como poesia”.

Eu acordei perplexa (e anotei tudo isso rapidamente). E, depois, fiquei observando os dias, as coisas, os eventos.  Percebi que eu planejava tudo errado. Esquematizava as coisas como eu queria que acontecessem, mas pensava: “e se não der tempo?”, “não vai dar tempo”, não vou ter tempo”, “preciso de tempo”. E, a lei da atração é certeira: pensou e sentiu com sentimento verdadeiro, acontece.  Aí, meu tempo vivia contra mim! E percebi que eu vivia no futuro. Logo, quando esse futuro não dava certo, eu me lamentava, lembrando do passado. Havia me esquecido do tempo presente.

Hoje eu vejo o quanto o tempo é realmente “maravilhoso quando se sabe usá-lo”. É incrível quando se deseja algo, confia no Universo, e tudo acontece conforme imaginado e sentido com o coração. É o ‘tempo criado’. E quando algo não sai como o planejado (o que hoje em dia ocorre pouco), não lamento; só aceito esse novo aprendizado. E esse novo aprendizado, logo, percebo que foi necessário, e que parecia ter sido ‘plantado’ por alguma outra força, que usou de uma ‘brincadeirinha dessincronizada’ pra me trazer algum bem indireto.

Viver o presente, no presente. Observar os acontecimentos, dia e noite, sem lamentar o que não precisa de lamentos… Só observar e agradecer os ensinamentos. Hoje, pra mim, são o que definem o tempo. O tempo é agora; é aqui onde vivemos. É aqui onde o futuro se forma e onde o passado se formou, mas ainda é o presente. E tudo o que se vive agora, no agora, “é o tempero dos dias e das noites”. ‘Há muito ainda o que aprender sobre o tempo’. E o que venho aprendendo, me diz pra eu manter a responsabilidade, mas não me preocupar, pois, pra mim, o tempo já não ‘passa’; ele apenas existe (ou apenas não existe). É cíclico, mas é aqui e agora. “O tempo é nosso”, nós o fazemos, direta ou indiretamente. E, é criativo e criador, é prazeroso e sublime: “É como poesia”.

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Sem Título | Camila Lagoeiro | Óleo sobre tela | 40x40cm

Até a próxima! ^^

2 comentários sobre “Sobre o Tempo

  1. Amei ! Sinceramente amei ! Que mundo rico tem aí dentro de você, Camila ! Um grande abraço. E muito obrigada por me explicar esse probleminha do tempo…rsrs

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