O i da intuição…

Sabe aquela “voz” misteriosa e sutil, que sempre fala no nosso ouvido quando estamos diante de um dilema? Por exemplo: Você está dividido entre dois caminhos para chegar a determinado lugar. A “voz” diz que é melhor pegar o trajeto da direita. E assim, você anda tranquilamente pela direita. Aí, mais tarde, você descobre que, no caminho da esquerda, um ônibus desgovernado atingiu um carro, um caminhão, uma barraca de cachorro-quente, uma concessionária e bloqueou toda a avenida! – E isso tudo bem no horário em que você escolheu o caminho da direita! E você se dá conta de que seu destino poderia ter sido beeeeem diferente, não fosse aquela “voz”. Pois é, é a intuição dando seu parecer. É o ato de sentir, tendo uma certeza inexplicável de que tal decisão será a mais adequada, prevendo, inconscientemente, o que está para acontecer. No final, não sabemos explicar o porquê da tomada de decisão, e o quão benéfica ela foi. E sabe o que é legal nessa história? A intuição não é exclusividade de apenas algumas pessoas não; nasce com todos nós!

A intuição é uma faculdade que todos nós temos, embora nem todos saibam utilizá-la. A palavra vem do latim “intueri”, ou “intueor” (a origem etimológica não é tão clara), que significa olhar para, considerar, avaliar. É tipo uma previsão, porém mais sutil, uma vez que não vêm com imagens detalhadas na sua cabeça mostrando o que irá acontecer; você apenas sente que tem que fazer tal coisa.

Vários estudiosos do assunto apresentam definições bastante plausíveis sobre esse tema. Entretanto, eu quero fugir do pensamento racional – ele está sendo usado muito demasiadamente nos dias atuais! – e dar espaço à questão do sentir.

Por isso, gosto da definição do psiquiatra e psicoterapeuta C. G. Jung (1875-1961): ele diz que a intuição é uma função da psique (mente), do lado afetivo e irracional do cérebro, que acontece sempre sem uma justificação lógica. É espécie de percepção de uma realidade peculiar.

Do ponto de vista espiritual, define-se pela manifestação da nossa alma, algo que transcende a razão e atinge um nível superior de comunicação, que pode se basear em nossas crenças e conhecimentos. É a “cotucada” dos nossos guias espirituais.

Já me aconteceu várias vezes de ter aquela sensação de ‘algo me diz pra fazer isso desse modo, mas farei do outro jeito’. E, pelas experiências que tive, é melhor obedecer!

A intuição me aparece muito quando eu estou pintando: eu não gosto de fazer rascunhos nos meus trabalhos, porque prefiro manter aquele primeiro ‘frescor’ da ideia na arte final. Então, quando escolho as cores e os elementos da composição, eu sempre ouça a “voz”. É uma sensação de conexão: eu preciso estar emocionalmente focada no que vou pintar, de modo muito tranquilo, imaginando a composição e me sentindo dentro dela. Se algo me distrai, parece que a conexão se perde, e fica difícil ouvir a “voz”.

E quando a gente não consegue acessar esse poder?
A intuição está relacionada a conhecer a si mesmo, acreditar em si e ter autoconfiança. Quanto mais confiança dá-se a si, mais o indivíduo adquire a capacidade de se ouvir e confiar em seu processo intuitivo, tomando decisões mais concretas. Além disso, a intuição não aparece quando é ‘pressionada’ a aparecer; a mente precisa estar relaxada.

Segundo a psicóloga Virginia Marchini, em entrevista ao site da Super Interessante (março, 2006), “Pessoas com baixa auto-estima, por exemplo, têm mais dificuldade em acreditar na inteligência intuitiva em função de uma desconfiança em relação a tudo o que venha de seu interior”. Observo também que, quando estamos preocupados com o que vão pensar de nossas escolhas intuitivas, por parecerem absurdas, acabamos seguindo o caminho que é considerado ‘normal’ e ‘aceitável’; mas assim acabamos por enganar nosso coração.

E sabe o que também acontece? A gente sempre pede ajuda à inteligência superior quando estamos em momentos de aflição. Mas, aflição é um sentimento negativo, e sentimentos negativos dificultam nossa capacidade de conexão com nosso íntimo e a consciência suprema. Por isso, por mais difícil que seja a situação que necessita de ajuda intuitiva, é preciso manter a calma e confiar – Sempre!

A intuição é uma manifestação poderosa, e necessita ser mais valorizada em nossas vidas. A gente anda levando tudo pro lado racional, e o emocional fica lá, abandonado, gerando um considerável desequilíbrio em nossas atitudes. Vamos então ouvir mais a nossa intuição? Sentir, relaxar, acreditar, alcançar o equilíbrio. Uma hora dá certo! As “vozes” falam conosco, e estão ansiosamente aguardando nossa atenção e nosso voto de confiança!

4 comentários sobre “O i da intuição…

  1. Muito bom.
    Tenho focado cada vez mais e cada vez mais dando atenção pra esse tipo de aviso que nossa mente da, (Ou que o coração da… Ou os dois juntos.) tanto que desde que começei realmente a ouvir a famosa “voz da razão interior”… Muita coisa mudou.
    pra melhor.
    Excelente matéria.
    Muita Paz&MuitaLuz!
    Smile Delacoeur – O Sorriso do Coração

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