O Lápis Grafite

esboco_MARCA

Volte e meia, quando pegamos um lápis às pressas pra anotar alguma coisa enquanto falamos no telefone, ou alguma coisa importante que acontece numa determinada situação, nem passa pela nossa cabeça a tradição dessa ferramenta. Pois é, o lápis é um instrumento milenar! E, além disso, é um assunto que eu gosto bastante! Hoje, aqui nesse post, apresentarei um pouco da origem dos lápis grafite, bem como as minhas ferramentas e alguns trabalhos que desenvolvi com elas, os quais trato com muito carinho. Sejam bem vindos a este universo!

A origem do lápis, de tão antiga, não é tão clara assim pra nós, mas há alguns fatos importantes que foram capazes de definir sua evolução. Nas pinturas rupestres, lá na era dos hominídeos, há indícios que os seres humanos utilizavam varas queimadas para compor seus desenhos no interior das cavernas.

Os gregos, há mais ou menos 1800 anos atrás, perceberam que finos estiletes de metal produziam o efeito de riscar superfícies. Esse metal era o chumbo, que passou a ser vastamente utilizado, inclusive no stylus. O stylus é o ente mais antigo da família do lápis. Desenvolvido em Roma, inicialmente, era um filamento de madeira, marfim, cana ou bronze, onde os romanos usavam-no em tábuas de argila, escrevendo em forma de gravação. Com fuligem dissolvida em água, criaram uma tinta preta, e passaram a usar o stylus molhando-o tinta. Só mais tarde é que veio o stylus de chumbo que, por si só já emitia a cor escura, sem a necessidade de tinta ou gravação. Com a evolução deste instrumento, ele passou a ser revestido, normalmente, por madeira, de modo a não sujar as mãos de quem fosse escrever.

stylus sem revestimento

Stylus sobre tábua de argila
Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Stylus

O stylus, que hoje também atende pelo nome de boleador, é utilizado até os dias atuais, para gravações em esculturas, desenhos, gravuras, decorações e, em sua evolução mais recente, em telas de smartphones e tablets.

stylus para escultura

Stylus para escultura
Fonte: http://pt.aliexpress.com/popular/iron-lump.html

boleadores para unhas

Boleadores para decoração de unhas
Fonte: http://www.divasimportados.com.br/1316964-Boleador-para-unhas-cod-759

smart

Stylus para telas de smartphones e tablets
Fonte: http://thenextweb.com/apple/2011/02/26/5-stylus-pens-and-brushes-perfect-for-ipad-artists/

Lá pelo século XVI, na Grã-Bretanha, mais precisamente na Inglaterra, descobriu-se uma grande jazida de um “chumbo negro”. Esse chumbo negro era uma variedade do carbono, ou seja: a grafite (é, o correto é usar o artigo ‘a’; grafite é substantivo feminino, por se tratar da pedra chamada originalmente de ‘grafita’). Assim, a grafite passou a ser revestida por madeira, dando origem aos primeiros lápis!

Os registros desses primeiros lápis relatam ferramentas bem rústicas. O lápis não tinha refinamento, era feito como um sanduíche, simplesmente com dois pedaços de madeira e o mineral no meio.

De lá pra cá, o uso dos lápis-grafite só cresceu. Até o século XIX, mesmo com a expansão da produção das minas grafite, o chumbo ainda era utilizado. Ele só foi totalmente extinguido com a descoberta de sua toxicidade, no início do século XX.

A primeira produção em série de lápis veio mais ou menos por volta dos séculos XVI e XVII com Friedrich Staedtler, um artesão de Nuremberg, Alemanha. Parece que ele foi o primeiro “fazedor de lápis” que se tem registro, e a Staedtler continua a fabricação de lápis até hoje, além de outros materiais voltados para a arte e engenharia.

A Staedtler tem um kit de lápis grafite muito legal, e eu uso muito! Vai do 2H ao 8B. Essa nomenclatura funciona assim: Quanto mais ‘H’ (H= Hard = duro em inglês), mais rígido e mais claro ele é; quanto mais ‘B’ (B= Black= preto em inglês), é mais escuro e mais macio. E tem o ‘F’ também, para um traço mais delineado (F= Fine = Fino em inglês= ’Fina Ponta’).

Olha só meu kit Staedtler:

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E esse aqui é um desenho meu feito com o kit:

'Cameron Diaz'-20x30cm_grafite-sobre-papel_2014MARCA_

'Cameron Diaz' – Camila Lagoeiro - 20x30cm – grafite sobre papel - 2014

No século XVIII, a Faber-Castell começava a se desenvolver, ali também na região de Nuremberg. Em 1851, Lothar von Faber introduziu a forma de lápis de madeira que conhecemos nos dias de hoje, predominante na indústria mundial de materiais para a escrita. Lançou também a lapiseira e os grafites em versões bem fininhas. Eu uso uns lápis-grafite da Faber-Castell bem práticos pra fazer esboços e preencher fundos. Esses aqui:

faber-castel

O que acho muito legal em relação à empresa, é o fato de os lápis serem feitos, há 25 anos, a partir de madeira de áreas de reflorestamento, em locais antes desmatados e hoje recuperadas pela Faber-Castell. São chamados ‘ecolápis’, com certificado da FSC.

ecolapis

Já que a lapiseira foi citada, apresento esse desenho meu feito com lapiseira 0.3:

Sem tu00EDtulo_grafite-sobre-papel_30x40cm_2014MARCA

‘Sem título’ – Camila Lagoeiro – grafite sobre papel - 20x30cm – 2014

Nesse trabalho, eu utilizei a lapiseira Poly Plus, da Faber-Castell, e a P203, da Pentel. A Pentel é uma empresa de origem japonesa, com mais de 62 anos de atividade.

pentel

Lapiseira Pentel
Fonte: http://www.lapiseirapentel.com.br/categoria/lapiseira-pentel-0-3/

No fundo do retrato da senhora, como era uma área grande, eu usei esse lápis aqui, dá uma olhada no shape dele:

koh-i-noor

Esse é da Koh-I-Noor. A empresa, fundada na República Tcheca pelo austríaco Joseph Hardtmuth no século XVIII, leva um grandioso significado em sua marca: “Montanha de Luz”, o nome de um diamante indiano muito famoso na época. A Koh-I-Noor tem uma particularidade interessante: foi a primeira empresa voltada a materiais artísticos a patentear a mina grafite com uma cominação de grafite e argila. Por isso, seus lápis tem uma textura solta e macia; é bem gostoso de se trabalhar com eles.

Olha esses outros que também usei no fundo da composição:

koh-i-noor-integrais

Aqui, o primeiro (amarelo) é o lápis B. Os outros dois são grafites integrais, puros, sem revestimento de madeira. Os grafites integrais tem uma dureza um pouquinho maior em comparação aos lápis B (esse mais bojudo aí do meio é 4B). O traço sai muito leve, parecendo que tem cera no meio da composição. Desenhar com os lápis integrais me dá aquela sensação de leveza maior, de flexibilidade, da beleza de se sujar para fazer um trabalho legal. Creio que seja pela falta da ‘limitação’ da madeira envolta.

cretacolor

Esses são da Cretacolor. De origem austríaca, a Cretacolor apresenta lápis também muito macios, bem próximos dos lápis da Koh-I-Noor. O 9B é sensacional! É de uma suavidade e força muito intensas, e, mesmo com tanta carga de black, não perde o brilho.

Nesse trabalho aqui, eu utilizei uma mistura de lápis de todas as marcas citadas:

'Obama'-20x30cm_grafite-sobre-papel_2014MARCA

'Obama' - 20x30cm – grafite sobre papel - 2014

Além de todas essas várias possibilidades que a grafite proporciona, há um fato interessante sobre esse mineral: é um condutor energético. É muito utilizada como lubrificantes de roldanas e engrenagens. Em livros voltados a questões metafísicas e espirituais, sempre é citado o fato de ser mais proveitoso escrever afirmações ou desenhar algum desejo com lápis ao invés da caneta. Nós, que somos um campo eletromagnético, somos sensíveis a esse mecanismo de troca de energias: o que colocamos no papel, com emoção e equilíbrio, é enviado ao Universo mais rapidamente com ajuda da grafite. Ela faz uma ponte muito segura entre a Terra e o Astral.

Tenho que confessar uma coisa: até hoje, eu olho pros meus lápis e fico babando! Eles são lindos e muito elegantes! Todo vez que eu os pego em minhas mãos e fico olhando pra eles, fico imaginando como foi pra época produzir uma ferramenta tão inovadora… fico imaginando também as inúmeras possibilidades de criações que eles são capazes de proporcionar. Parece que dá pra sentir a energia de todo o trabalho que esses artesões e companhias fizeram e continuam a fazer.

O Universo dos lápis grafite é Universo em escala de cinza, porém, com muita história e muita vida! E da vida, só se gera vida, rodeada por energia e poder de criação! E que mais vida se manifeste através dos lápis grafite!

Referências

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